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10/4/2013
A
comunidade quilombola de Furnas de Boa Sorte, compreendida na região do
município de Corguinho, distante 120 quilômetros da Capital, recebeu na
última sexta-feira (5) a visita da secretária de Estado de Trabalho e
Assistência Social, Tania Mara Garib, com demais representantes do
governo do Estado. Com o intuito de verificar a realidade da comunidade in loco, Tania Garib esteve acompanhada da coordenadora de Proteção Social Básica, Marcia Teresinha Ratti, da gestora de ação social da unidade de Prevenção e Combate à Discriminação, Lecir Marques Machado, e da coordenadora de Trabalho e Renda da Fundação de Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), Larissa Orro. Também estiverem presentes a coordenadora Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso do Sul, Raimunda Luzia de Brito, representante da Agraer, e do Instituto Casa da Cultura Afro-Brasileira (Iccab), e também técnicos da prefeitura municipal de Corguinho. A secretária Tania Garib conversou com as famílias da comunidade, e também ouviu suas sugestões para implantação de melhorias em Furnas de Boa Sorte. Visando a um desenvolvimento social e econômico, a secretária da Setas explanou aos moradores possibilidades para a região através da produção de, por exemplo, artesanatos, novas formas de aproveitamento da terra e fomento das riquezas naturais à disposição, resultando assim na ampliação da geração de renda. “Vocês aqui têm uma grande oportunidade de desenvolvimento e estamos aqui para isso, para ajudar vocês, para pensarmos em conjunto nas formas que o governo do Estado possa colaborar para que a região progrida ainda mais”, afirmou. Tania Garib ainda enalteceu a força da união no desenvolvimento dos projetos. “Sempre que vocês pensarem em conjunto, em prol de todos, vocês serão capazes de ir muito além. Mulheres, homens, jovens e adultos podem, cada um à sua maneira, colaborar para o desenvolvimento desta comunidade, desenvolvendo suas habilidades para o progresso de todos”. A secretária ainda colocou toda a equipe da Setas à disposição da comunidade, para sanar dúvidas e prestar apoio nas ações desenvolvidas. Furnas de Boa Sorte Localizada na região que compreende o município de Corguinho, Furnas de Boa Sorte é atualmente a junção de quatro comunidades remanescentes do quilombo, sendo elas São Sebastião, Carrapatinho, Caridade e Boa Sorte. Aproximadamente vivem hoje na região 50 famílias, sendo quase 400 pessoas, entre adultos e crianças, em uma área de mais de 1,4 mil hectares. Organizada em forma de associação, presidida atualmente por Carlito Maciel, a comunidade conta com certa infraestrutura básica, como energia elétrica, poços artesianos que levam água encanada para as casas, e antenas que possibilitam a comunicação via celular e também conta com escola municipal até o 5º ano do ensino fundamental. |
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responsabilizando pelo seu conteúdo.
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Na construção do Decreto 4887/2003, que regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos, a CONAQ teve uma participação importantíssima, influenciando diretamente na construção do texto legal. Nesse sentido, a CONAQ assume também a defesa radical do referido Decreto.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Representantes da Setas visitam Furnas de Boa Sorte
TO - Defensoria Pública desenvolve projeto em comunidades quilombolas do Norte do Estado
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Conexão Tocantins |
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9/4/2013
Vinte
e nove comunidades quilombolas estão localizadas no Tocantins. De 10 a
12 de abril, comunidades do Norte do Estado serão visitadas por
defensores públicos com
o objetivo de realizar o levantamento das demandas dessas populações.
As atividades fazem parte do Projeto Defensoria Quilombola, instaurado
pela Portaria nº 87/2012 da Defensoria Pública, uma ação específica do
Núcleo de Ações Coletivas e Núcleo da Defensoria Pública Agrária.
Os
representantes das comunidades serão ouvidos por defensores públicos e
equipes técnicas da Defensoria, Governo do Estado e prefeituras,
conforme o cronograma abaixo. As prefeituras de cada comunidade vão
disponibilizar aos remanescentes, nos locais das reuniões, serviços de
saúde como consultas, vacinação, dentistas, entre outros.
10 de abril
O
município de Aragominas possui duas comunidades que serão atendidas no
dia 10 de abril. Pela manhã, os quilombolas do Pé do Morro serão
atendidos no Clube do Índio, e os do Projeto Baviera, no período da tarde, no Colégio Municipal da Baviera.
11 de abril
A comunidade Dona Juscelina, de Muricilândia, será reunida no Centro de Inclusão Digital. Já em Santa Fé do Araguaia, a Comunidade Cocalinho é esperada na Casa de Cultura. Essas populações terão atendimento dia 11 de abril.
12 de abril
Em Filadélfia, a reunião acontece na comunidade Grotão, no dia 12 de abril, na Escola Criança Alegre. (Ascom Defensoria Pública)
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PE - Governo do Estado leva documentação básica ao Quilombo Serrote do Gado Bravo
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Governo do Estado de Pernambuco |
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9/4/2013
Moradores
da comunidade quilombola Serrote do Gado Bravo, em São Bento do Una, no
Agreste, recebem nesta terça-feira (09), o Programa Balcão de
Direitos,da Secretaria Executiva de Justiça e Direitos, que é coordenada
pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. A ação
faz parte da Semana de Direitos Humanos no Agreste Meridional, que teve
início nessa segunda-feira e segue a próxima até sexta, 12, com quase 48
ações em 08 cidades da região. Na ocasião, os moradores terão direito a retirada gratuita de documentação, como carteiras de trabalho e de identidade, 2ª via de registros de nascimento e casamento, além de fotos 3X4. Aproximadamente, 2.015 pessoas que vivem no local serão contempladas com a ação. Para Bartolomeu Florêncio, presidente da Associação de Moradores do Serrote do Gado Bravo, o trabalho de emissão de documentos é importante para a vida dos quilombolas, pois traz cidadania e ajuda na participação em políticas públicas. |
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BA - Encontro do Conselho Interritorial de Comunidades Quilombolas do Baixo Sul e Litoral
BA - Encontro do Conselho Interritorial de Comunidades Quilombolas do Baixo Sul e Litoral
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Por Pedrina Belém |
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9/4/2013
Fotos de Pedrina Belém Na manhã do dia 23 de Março de 2013, na sede da Associação Quilombola do Jatimane aconteceu à assembleia do Conselho Inter territorial das comunidades Quilombolas do Baixo Sul e Litoral Sul. O objetivo foi debater acercas de politicas públicas para as comunidades do Baixo Sul. O Encontro contou com participação da Secretaria de Promoção Social de Nilo Peçanha, Secretaria de Educação de Maraú, Secretaria de Educação de Cairu, Representações de Teolândia, Associações de Laranjeira/ Igrapiúna, Barroso/ Camamu; Instituições IDES, AGIR, Prefeitura Municipal de Nilo Peçanha. Na pauta do encontro houve uma interação com Coordenação de Educação para a Diversidade, Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola SEC/SUDEB/DIREM. Que apresentou o Plano da Coordenação e quais os desafios, afim de provocar uma participação ativa do conselho junto as politicas voltadas para as questões Quilombola. Este encontro foi muito positivo, conhecer e acessar as politicas públicas voltadas para as comunidades Quilombola é primordial para o empolderamento e desenvolvimento da comunidades |
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Seleção de bolsistas para trabalhar junto a acadêmicos quilombolas e indígenas
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Jornal Agora |
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9/4/2013
O
Programa de Auxílio ao Ingresso aos Ensinos Técnico e Superior (Paiets)
Indígena e Quilombola torna pública a seleção de bolsistas para
trabalhar junto aos novos acadêmicos quilombolas e indígenas que
ingressarão na Universidade no início do próximo semestre. A bolsa é de
12 horas, no valor de R$ 360, e as vagas são preferencialmente
oferecidas aos acadêmicos dos cursos de Letras/Inglês e Ciências
Biológicas que estejam cursando a partir do 3º ano.
Os
interessados em concorrer às bolsas devem comparecer nesta
quarta-feira, 10, na sala 3104 - prédio 3 do Campus Carreiros, para
entrevista coletiva, com início às 9h e término às 12h. O estudante
deverá apresentar seu currículo no ato da entrevista. Se for
selecionado, o acadêmico será convocado por e-mail para a segunda fase
da seleção, composta pela entrevista individual, que será realizada
amanhã, 11, na sala 3201, das 9h às 12h. Mais informações pelo telefone
do Paiets (53) 3293.5219.
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O
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Ruralistas convocam Gleisi a explicar demarcação indígena
Por racismoambiental, 11/04/2013 11:10
A ministra de Relações Institucionais da Presidência da
República, Ideli Salvatti, entrou ontem em campo para tentar contornar a
convocação da chefe da Casa Civil, ministra Gleisi Hoffmann, pela
Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados
Fernando Exman e Daniela Martins – Valor
Em um sinal da insatisfação de partidos
base aliada, o colegiado convocou Gleisi a dar explicações sobre a
identificação e delimitação de terras indígenas no país. O requerimento,
de autoria da bancada ruralista, foi aprovado por 25 a 14.
Por coincidência, parlamentares da
bancada do agronegócio tinham uma reunião ontem à tarde com Ideli para
tratar de uma proposta que regulamenta o trabalho dos caminhoneiros. Mas
a convocação de Gleisi também foi colocada em pauta.
Um dos autores do requerimento que
convocou a ministra, o vice-presidente da Frente Parlamentar da
Agropecuária (FPA), Luiz Carlos Heinze (PP-RS), afirmou que os
ruralistas vêm pleiteando o restabelecimento da portaria há alguns meses
junto ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mas que as demandas
não surtiram efeito.
No encontro, o gaúcho afirmou
que Ideli apontou que Gleisi poderia participar de audiência na Câmara
mediante convite ou receberia os ruralistas no Planalto, não sendo
necessária a convocação. No entanto, o vice da FPA disse não ter recuado
já que a decisão de convocar a ministra foi decidida pelo grupo. “Ela
[Ideli] fez o papel dela, colocou os pontos dela. Faz parte do jogo. O
governo não gosta, mas temos que usar nossas armas já que o problema é
grave”, afirmou Heinze.
O deputado disse que os produtores estão
em posição de insegurança sobre a questão das demarcações de
territórios indígenas sem a portaria, editada com o objetivo de
uniformizar a atuação jurídica do Poder Judiciário, seguindo as
diretrizes dadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da
demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, que ocorreu em
2009.
“Temos que dar um basta nesta questão”,
afirmou o deputado. Entre os ruralistas, se a portaria entrar em
vigência, a convocação pode ser revista. Se isso não acontecer, outros
nomes do primeiro escalão do governo devem ser convocados pela Comissão
de Agricultura.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
O 45º. aniversário da morte do ativista Martin Luther King
Por David Beasley
O Centro King, em Atlanta, disse que homenageará seu patrono com uma campanha chamada "Os 50 Dias de Não-Violência", desafiando os jovens a se absterem da violência no que resta do ano letivo nos EUA.
"Como disse meu pai, ‘a escolha não é mais entre a violência e a não violência. É a não violência ou a não existência'", disse Bernice King, filha do pastor e executiva-chefe do Centro King.
"Acreditamos que os jovens tenham uma liderança a desempenhar na criação de uma sociedade não violenta."
Bernice King fará um discurso em frente à ONG na quinta-feira, às 19h01 (20h01 em Brasília), momento exato em que o ativista dos direitos civis foi morto, em 4 de abril de 1968, na localidade de Memphis, no Tennessee.
Uma coroa de flores será depositada em frente à Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta, onde King pregou, e no mesmo lugar onde outra coroa foi deixada no dia seguinte à sua morte.
King, um defensor da não violência, da irmandade racial e dos direitos iguais, tornou-se mundialmente famoso depois de liderar o boicote aos ônibus de Montgomery, que começou em dezembro de 1955. Ele ganharia o Nobel da Paz de 1964.
Em 1968, ele viajou a Memphis para apoiar uma greve de funcionários do serviço de saneamento. Foi baleado e morto na sacada do seu quarto no hotel Lorraine. Tinha 39 anos.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
HISTÓRIA DO CONGO
Nos
últimos anos o congo tem ocupando cada vez mais, lugar de destaque nos
veículos de mídia, e nas discussões entre os artistas e intelectuais.
No entanto, são poucas as informações sobre a origem e formação
desses conjuntos musicais, que já foram chamados de bandas de índios,
bandas de congos, e atualmente bandas de congo. O congo é considerado
por estudiosos das tradições populares do Espírito Santo, como uma
dança folclórica, por ser um grupo musical de estrutura simplificada,
com dançadores e um dirigente (mestre), possui coreografia própria,
sem texto dramático, e outras pessoas podem ser incluídas, isto quer
dizer: podem participar desta manifestação, que possui características
próprias sem igual em outros estados do país.
AS BANDAS DE ÍNDIOS A origem das bandas de congo é anterior ao século XIX. Entretanto, a sua formação inicial foi perdida com a aculturação dos povos indígenas. Esses grupos musicais, descendem dos cantos e rituais dos índios. O historiador e mestre Guilherme Santos Neves, que muito contribuiu para o conhecimento do nosso folclore, conta-nos que os primeiros registros impressos sobres elas, conhecidas como Bandas de Índios, são do Padre Antunes de Siqueira (1832-1897), poeta, teatrólogo, educador e filólogo, natural de Vitória, exerceu as funções de sacerdote em São Mateus e na Aldeia Velha (Santa Cruz), por volta do ano de 1855. Ele descreveu a forma do primitivo conjunto musical, integrados por índios Mutuns, que habitavam as margens do Rio Doce: "Nas danças acocoram-se todos em círculo, batendo com as palmas das mãos nos peitos e nas coxas".(1) Indica também o instrumental por elas utilizado: "Os cassacos (casaca), um bambú dentado, corrida a escala por um ponteiro da mesma espécie; e também tambores feito de pau cavado, às vezes oco por sua natureza, tendo em uma das extremidades um couro, pregado com tarugos de madeira rija (...). A eles juntam o som produzido por um cabaz {cabaça}, cheio de caroços de sementes do mato". (2) Esse instrumental das Bandas de Índios descrito por Antunes de Siqueira, permanece até hoje nas bandas de congo, devidamente adaptados. A esses preciosos documentos, mestre Guilherme Santos Neves, acrescenta o de D. Pedro Maria de Lacerda, Bispo do Rio de Janeiro, em visita ao Espírito Santo, entre 1880 e 1886. Os seus escritos narram fatos importantes sobre as autênticas bandas de congo: No dia do aniversário da Igreja dos Reis Magos em Nova Almeida (município da Serra), observou entre o conjunto de índios a presença de um "negro velho" e a maneira dos músicos tocarem os tambores: " É de saber que os tocadores de guararás (tambores), quando vêm, os trazem debaixo do braço, e quando param, montam-se sobre ele e com ambas as mãos batem no couro de uma das bocas. (...) Os mais ficam em pé. Adiante do tambor é que se dança, que é simplésima, mas tem sua graça; o capitão, esse que tem na mão a vara, que ele empunha com muito garbo." (5) Nas suas anotações, o Bispo refere-se ao Capitão: "Visitou-me o Capitão dos Índios por nome João Maria dos Santos." E explica: Um Capitão de Índios hoje é apenas um nome, como o do Imperador do Divino e Rei do Congado. Para as danças é ele o Presidente ". (6) Segundo as pesquisas do mestre Guilherme, "essa intromissão do elemento negro no folguedo ameríndio é que deu agitação e vida ao conjunto musical e dançante".(10) Os negros acrescentaram sua maneira descontraída e auto-expressiva de dançar. "(...) sem nenhuma repressão dos impulsos individuais; sem a impassibilidade das cerimônias indígenas" (11) Ao registrar a participação dos negros nas Bandas de Índios, o Bispo D. Pedro Maria Lacerda, curiosamente datou em 1880, essa apropriação por empréstimo entre o folclore afro-brasileiro e o dos índios nativos. A permanência dos negros de cultura banto (originária de Angola), em solo capixaba durante o ciclo do café, favoreceu a participação deles nas bandas de congo, "ao reviver as cortes africanas, com pompa e magnificência, organizaram-se hierarquicamente, para louvar a Virgem do Rosário e São Benedito",(12); além de São Pedro, São Sebastião e Nossa Senhora da Penha, a padroeira do Espírito Santo. Esse complemento das festas dos santos, a devoção, a dramatização e o cenário, a reunião nas praças das igrejas, em torno das quais cresciam os povoados, tem algo da cultura ibérica. "Os padres jesuítas {portugueses e espanhóis}, tiveram participação nesse processo, ao cuidarem da catequese dos índios, e prestar assistência moral aos colonos portugueses, passaram a introduzir total ou parcialmente as expressões nativas nas artes (música, teatro e dança);" (13) com o intuito de reunir toda a gente, e apaziguar os ânimos entre os indígenas e os colonizadores, que como sabemos, viviam em conflito. O teatro religioso, empregado desde a Idade Média para veicular idéias e ensinamentos foi desenvolvido em terras capixabas pelo padre José de Anchieta. "Ele escreveu autos e poesias, que deram origens a outros possivelmente inseridos nas nossas manifestações folclóricas". (14) Esses autos, além das festas e alardos portugueses, eram representados em Vitória, desde o século XVI, na praça ao lado do Palácio Anchieta, hoje, sede do Governo Estadual. Os colonizadores portugueses também trouxeram os seus costumes, e aqui permaneceram juntando ao mesmo tempo os modelos lusitanos, as formas afro-brasileiras e as de inspiração indígena. Essa junção de culturas, como acontece em outros Estados brasileiros, principalmente os do Nordeste, fez com que no Espírito Santo, o maior número de danças e folguedos populares fossem vinculados às comemorações do nascimento de Cristo, ou realizados em sua homenagem, porque são apresentados unicamente nas datas próximas do Natal, denominadas de festas do ciclo natalino. Outras correspondem aos dias dos santos: dia 26 de dezembro dia de São Benedito; e Nossa Senhora da Penha no dia 08 de abril. É bom lembrar, que o culto a São Benedito, muito venerado em Portugal e Espanha, foi trazido pelos colonizadores. Os índios catequizados o adotaram. O viajante Biard, cita em seu relato sobre a banda de índios, o fato de em meio ao cortejo, um índio paramentado que levava a imagem do santo, filho de escravos, nascido na Sicília-Itália, que viveu pobremente e peregrinou pelos países da Europa Ocidental. Os ilustres personagens que registraram as primeiras referências sobre as bandas de congo, esqueceram-se de escrever no entanto, o que eles cantavam. Mas por certo, graças a esses registros valiosos, é que hoje conhecemos a sua origem: uma dança ritual dos ameríndios, tomada por empréstimo pelos afro-brasileiros e os portugueses, que nelas imprimiram seus traços culturais: religiosos, lingüísticos, musicais, danças rituais e crendices. AS CORTES DO REI CONGO DE ANGOLA Outro grande mestre, incentivador e divulgador do folclore capixaba, Hermógenes Lima Fonseca, em depoimento sobre nossas manifestações populares assim refere-se a elas: "É como eu disse né, a turma vai astuciando coisas pra se tornar diferente; porque o folclore não é uma coisa estática, ela evolui; o povo está sempre criando aí criando". (Primeiro CD do grupo Manimal, faixa 1). As Bandas de Congo, foram assim se modificando com o passar do tempo. O nome guarará, foi mudado para congo ou tambor, por isso, o conjunto veio a ser denominado banda de congo, como hoje é conhecido, e que faz melhor referência à África, "as cortes do congo tem a sua origem em Angola". (15) Também o termo massaraca ou massacaia, foi mudado para chocalho ou sucaio. Feito de cabaças, tendo no seu interior sementes do mato, que hoje são substituídas por grãos de feijão e milho. Outro instrumento de origem africana, a puita ou cuíca, foi introduzido. Permaneceu o cassaco, "também chamado cassaca ou cassaco, ou ainda por contaminação, canzaco, evidente influência de canzá ou ganzá, que seria termo quimbundo, segundo os entendidos em línguas africanas" . (16) Somam-se a essas transformações, as anteriormente referidas sobre o "modo de dançar dos negros e mais as toadas, onde se encaixam aqui e ali, termos e expressões africanas, referências à escravidão, entoadas dentro do ritmo negro, quente e sensual." (17) Tradicionalmente o conjunto é formado por 10 a 30 pessoas. Só os homens tocam os instrumentos. As mulheres representam as Rainhas, trajam vestidos longos, nas cores azul ou branco, com enfeites, e levam à frente o estandarte com o Santo de louvor, São Benedito, São Sebastião, São Pedro, Nossa Senhora do Rosário. Uma das antigas festas realizadas pela Irmandade dos Pretos do Rosário e São Benedito no centro de Vitória, eram os Bailes de Congo, representados no adro da Igreja do Rosário, por doze meninas vestidas e enfeitadas e uma gorda matrona. SONS DA NATUREZA E CANTO DA ALMA A casaca: Instrumento peculiar das Bandas de Congo, recebe outras denominações conforme o lugar: cassaca, canzaca, canzá, ganzá, carcaxá, reque-reque e reco-reco. Ao tocador dá-se o nome guerreiro de tocador de reco-reco ou reco-requista, canzaqueiro, conguista, casaquista e folgador, segundo inquérito realizado em 1953 pela Comissão Espírito-santense de Folclore. Também aparece em outras manifestações folclóricas brasileiras como o jongo e o caxambu, também presentes no Espírito Santo. Segundo informações coletadas por Michel Dal Col Costa, da Casa de Congo Mestre Antonio Rosa, da Serra, alguns velhos congueiros afirmam que, quem era esculpido na casaca era alguém odiado pelo grupo, como capitães do mato e maus senhores. O fetiche, era uma forma de satirizar esses homens terríveis, agarrando-os pelo pescoço, costume introduzido aqui por escravos afro-brasileiros. O instrumento é fabricado tradicionalmente com uma madeira de alagadiços chamada tagibubuia. Na Serra, o artesão local de nome Tute, vem fabricando uma nova versão do instrumento, utilizando canos de PVC, ao invés da madeira nativa. Sem perder a qualidade estética e a sonoridade original, está sendo adotada por diversos congueiros. O modo de tocar os tambores (guararás), sentado sobre eles cavalgando-os, e os instrumentos originais dos índios, a casaca e o chocalho, aos quais os negros ajuntaram a cuíca, são complementados por outros: apito, triângulo(ferrinho), caixas, sanfonas (estas por influência da imigração italiana como ocorreu em Colatina-ES), pandeiros e ganzás. Os instrumentos são pintados nas cores da banda. Os da Banda de São Benedito na cidade da Serra, tem as cores verde e rosa, e em Cariacica, no grupo do mesmo santo de louvor, eles são pintados de verde. As canções: Guardadas de memória ou improvisadas, elas falam de temas variados: "o mar, o amor, a natureza, a devoção aos santos e, por vezes a morte; (...) concorre para fazê-las triste a maneira dolente de cantá-las prolongando demasiadamente as vogais finais do último verso do refrão, que mais parecem lamentos e gemidos em âââââ, em êêêêê, em ôôôôô." (20) Um trecho dessas canções que falam de amor, foi recolhido na Serra em 1954 por mestre Guilherme: Eu tô chorando ô Maria Vem me acalentá ô Maria Por causa do amor ô Maria Que me faz chorá Ô Maria.... RITUAIS PROFANO-RELIGIOSOS Segundo mestre Antonio Rosa, os 25 músicos que integram as bandas, representam os 25 escravos que se salvaram do naufrágio do navio Palermo nas proximidades do litoral de Nova Almeida, em 1856, agarrando-se ao mastro que continha uma imagem de São Benedito. Desde então, as comunidades de negros do litoral capixaba passaram a fincar o mastro todos os anos para agradecer o milagre, São Benedito é louvado nas festas do mastro, com a cortada, a puxada e a fincada. A Festa de Congo de São Benedito, e as cerimônias do mastro começam duas semanas antes dos dias 25 e 26 de dezembro, respectivamente o dia de Natal e o dia do Santo. Na Serra um cortejo sai pelas ruas da cidade, com o barco, o mastro e a bandeira do santo, e as bandas tocando os seus instrumentos, acompanhado pelo povo que entoa as suas cantigas. Ao final, com grande satisfação e espocar de fogos, o mastro é fincado em frente à igreja de Nossa Senhora da Conceição. Para fechar esse ciclo, no Domingo de Páscoa acontece a derrubada do mastro, que é retirado da praça e levado pelo povo através das ruas da cidade, em uma coreografia que lembra o movimento das ondas do mar revolvendo o mastro, no qual os sobreviventes do Palermo se agarraram, e foram levados até a praia, por um milagre do Bino Santo. A representação é acompanhada pelas bandas de congo em todo o seu trajeto. Outro festejo que merece destaque é o Congo de Máscaras de Roda D'água de Cariacica/ES, realizado pela Banda de Congo de Santa Isabel, e bandas convidadas. Segundo o historiador e folclorista Eliomar Mazoco, autor do livro 'Congo de Máscaras', "a festa acontece três vezes por ano: no Domingo de Ramos, no domingo seguinte, e no dia de Nossa Senhora da Penha. Só os membros da comunidade participam da brincadeira. Eles confeccionam as máscaras com moldes de barro e papel marche" (21), e fazem as fantasias, com roupas usadas, papel, folhas de bananeira e outros materiais. Os instrumentos e máscaras eram feitos pelo mestre Queiroz. Outra banda local, é a São Benedito de Cariacica, fundada em 1937, que conta ainda, com um de seus fundadores, Benedito Epifânio. Outro movimento importante, que contribuiu para a divulgação do congo, surge na última década do século XX, tendo à frente o maestro Jaceguay Lins e jovens músicos capixabas, que com a Banda Dois, uniram o ritmo do congo ao rock. Em meados dos anos 90 a banda Manimal, deflagra de vez o ' rockongo', tornando-o reconhecido pelo público, e divulgando o folclore capixaba em shows por estados brasileiros e países do exterior. CONGO ELÉTRICO Em 2001, uma banda de nome Casaca, faz sucesso entre jovens, crianças e adultos, consolidando a fusão do ritmo de raízes capixabas com o rock. Seus integrantes têm participação na Banda de Congo da Barra do Jucu (Vila Velha/ES), mostrando que os músicos de 'rockongo', pesquisam o ritmo e seus instrumentos, e tem afinidades com o congo tradicional. As bandas Manimal e Casaca, incluem em seu repertório canções como "Nhá, nhá você vai à Penha", e outras cantorias das bandas de congo, acompanhados pelo público jovem. Intérpretes da música popular capixaba como Andréia Ramos, Danilo Diniz e Jonathan gravaram congos em seus CD's. Também há o surgimento de bandas de congo mirins. A primeira Banda de Congo Mirim foi formada sob orientação da extinta LBA, no ano de 1980, na Barra do Jucu, de acordo com um de seus moradores, o artista plástico Kleber Galvêas. Associações de Apoio ao Folclore foram criadas em diversos municípios capixabas para buscar incentivos para organizar e estimular grupos diversos, bandas de congo tradicionais e formar bandas mirins. Na Serra foram formadas a Banda de Congo Mirim de São Benedito e Santo Antônio de Pádua da Serra Sede (organizada por Dona Lolinha, espôsa do mestre Antonio Rosa), e Banda de Congo Jovens em Prol da Cultura de Nova Almeida. A Associação Cultural Caieiras, formou através do "Projeto Congo na Escola", a Banda de Congo Mirim da Ilha, que durante três anos, vem desenvolvendo oficinas de história e música do congo, e de fabricação de instrumentos, com crianças dos Bairros da Grande São Pedro e adjacências, colaborando para o processo de formação educacional e da cidadania de menores em situação de risco social. A banda, tem em seu currículo apresentações junto a artistas profissionais e experientes, como: a banda Manimal, Kátia Rocha, Ed Motta, João Bosco, Banda Big Beatles e Orquestra Filarmônica do Espírito Santo. Atualmente a Comissão Espírito-Santense de Folclore, planeja realizar um mapeamento do folclore capixaba. Segundo o seu presidente Eliomar Mazoco, talvez existam aproximadamente sessenta bandas de congo em atividade no Estado, mostrando que as bandas de congo, estão vivas na memória do povo. Devemos também louvar aqueles que se dedicaram a contribuir para a sua permanência, através de incentivos, da organização, dos apoios, e dos registros escritos, visuais e sonoros, confirmando as sábias palavras de mestre Armojo: de que " o povo está sempre criando, aí criando...". | |
Notas Bibliográficas.
1- Neves, Guilherme Santos - Bandas de Congo, Cadernos de Folclores, nº 30, Rio de Janeiro, Ed. FUNARTE, 1980, p.3. 2- idem. p.3. 3- ibidem. p.5. 4- ibid. p.4. 5- ibid. p.6. 6- ibid. 7- ibid. 8- ibid. 9- ibid. p.8. 10- ibid. 11- InstitutoNacional do Folclore, Atlas Folclórico do Brasil - Espírito Santo - Rio de Janeiro, FUNARTE, 1982, p.57. 13- idem. 14- ibidem. 15- ibid. p.74 16- Neves, Guilherme Santos, in op. cit., p.12. 17- idem. 18- ibidem. p.17. 19- ibidem, p.31. 20- Gama, Oscar, História do Teatro Capixaba, apud. Aristides Freire, p. 191, Vitória, FCAA e FCES, 1981. 21- Neves, Guilherme Santos, in op. cit., p.20. 22- Mazôco, Eliomar Carlos - O Congo de Máscaras, Vitória, Universidade Federal do Espírito Santo, 1993.
BIBLIOGRAFIA.
A GAZETA - CADERNO DOIS - Vitória, segunda-feira, 17 de novembro,1997, p.1. Instituto Nacional do Folclore, Atlas Folclórico do Brasil - Espírito Santo, Rio de Janeiro, FUNARTE, 1982. Fonseca, Hermógenes Lima - Tradições Populares no Espírito Santo, Vitória, Departamento Estadual de Cultura, 1991. Gama, Oscar - História do Teatro Capixaba, 395 anos, Vitória, FCAA. e FCES., 1981. Mazoco, Eliomar Carlos - Congo de Máscaras, Vitória, UFES, 1993. Neves, Guilherme Santos - Bandas de Congo - Cadernos de Folclore nº 30, Rio de Janeiro, FUNARTE, 1980. Novaes, Maria Stella de - História do Espírito Santo, Vitória, Fundo Editorial do Espírito Santo. Rocha, Levy - Viagem de Pedro II ao Espírito Santo, 2ª Edição, Rio de Janeiro, 1980. SÉCULO - O Espírito Santo em Revista - Vitória, ano III, nº 23, janeiro 2002. pp. 7-17. Siqueira, Padre Francisco Antunes de - Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-Santense Desde os Tempos Coloniais até nossos Dias, Rio de Janeiro, Tipografia G. Leuzinger & Filhos, 1893.
Autor: Sérgio Oliveira Dias
Bacharel em Artes Plásticas (UFES) Conservador de Bens Culturais Móveis (UFRJ) Coordenador de Preservação do Acervo do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. |
segunda-feira, 1 de abril de 2013
O holocausto negro no Congo, por Israel Junior Silva
Por racismoambiental, 29/03/2013 06:50
Por Israel Junior Silva, em Rede Democrática
Quando se fala em atrocidade, um nome,
inevitavelmente, vem à cabeça: Hitler! Mas agora, outro nome se juntará à
galeria dos monstros da história da humanidade: o do rei Leopoldo II,
da Bélgica. E isso graças ao escritor polonês, naturalizado britânico,
Adam Hochschild, que no livro “O Fantasma do Rei Leopoldo”, relata uma
das maiores chacinas já cometidas em nome do poder, a mando do rei
belga, quando colonizou o Congo (atual Zaire), no continente africano.
As piores atrocidades aconteceram entre 1890 e 1910, tudo isso sem que o
rei colocasse os pés na África e com o aval dos líderes mundiais, que
fizeram “vista grossa”, enquanto milhares de congoleses sucumbiam ante a
tirania do “filantrópico e humanitário” rei, que aos olhos do mundo
“apenas libertava aquele povo medieval de uma ignorância crônica,
levando até eles as benesses da civilização”.
Congo Belga, como ficou conhecido na
época, foi uma das grandes fontes de riqueza para a minúscula Bélgica,
que se enriqueceu com a venda de marfins, que eram extraídos em
detrimento da morte de centenas de milhares de elefantes africanos, hoje
ameaçados de extinção. Outra fonte de riqueza foi a extração da
borracha, responsável pelo desaparecimento de muitas espécies de árvores
nativas daquela região.
Mas foi em outro aspecto que a tirania
do rei Leopoldo mais se acentuou: na instituição do trabalho escravo. A
ordem era lucrar muito com pouco investimento, e isso, logicamente,
significava não se preocupar com a folha de pagamento. Muitos oficiais
belgas foram enviados ao Congo, após previamente estudarem um “Manual”,
onde se ensinavam as “técnicas” de como subjugar o povo. No dizer do
próprio autor, “poucas vezes a história nos oferece uma chance como essa
de ver instruções detalhadas de como executar um regime de terror”.
No livro, pode-se observar uma
fotografia onde um oficial belga exibe, orgulhoso, o seu “jardim de
crânios”, que consistia em uma cerca ao redor de sua casa, toda
construída com cabeças africanas decepadas, numa clara intenção de
intimidar os que, porventura, ousassem desobedecer as ordens de “Sua
Majestade”. Num assombroso relato de uma africana, pode-se imaginar o
inferno em que viviam os congoleses: “Quando estávamos todos reunidos – e
havia muita gente de outras aldeias [...] – os soldados trouxeram
cestos de comida para nós carregarmos, dentro dos quais havia carne
humana defumada [...] ”.
A extração do marfim era relativamente
simples, pois os oficiais armavam-se com rifles, matavam centenas de
elefantes e os africanos, amarrados por grossas correntes nas pernas,
formavam longas filas e carregavam cargas pesadíssimas até a margem do
rio Congo, onde navios esperavam para dali partirem rumo à Europa. Não é
preciso dizer que nesse trajeto – dos locais das matanças até o rio –
os negros eram constantemente açoitados e muitos morriam por não
suportar o peso da carga. A comida era uma ração, distribuída uma única
vez ao dia e muito inferior àquela que era destinada aos cavalos do rei.
Para extrair a borracha, houve um
impasse. Como os negros precisavam subir nas árvores, era impossível
mantê-los acorrentados uns aos outros, o que dificultava o recrutamento
de “voluntários”. Mas, como não existia obstáculo que pudesse deter o
regime de terror, os belgas invadiam as aldeias, raptavam mulheres e
crianças e exigiam como pagamento por sua liberdade uma quantia de látex
que necessitava de 24 dias para ser extraído. Dessa forma, vários
africanos eram obrigados a se embrenhar na mata para conseguirem a
matéria-prima da borracha e muitos eram devorados por leões e leopardos.
Os que retornavam, muitas vezes encontravam esposas e filhos mortos, ou
violentados pelos soldados do rei. As mulheres mais bonitas eram
entregues aos oficiais, como forma de amenizar o celibato forçado em que
viviam.
Muitos aventureiros de toda a Europa
foram para o Congo, nessa época, atraídos pelo dinheiro fácil conseguido
através da venda de escravos. Outros invadiam as aldeias que resistiam
ao trabalho de extração da borracha e, para cada bala disparada, tinham
que apresentar a um oficial belga a mão direita do africano morto, para
só assim receberem o pagamento. Como alguns utilizavam a munição para
caçar, decepavam mãos de pessoas vivas, no intuito de justificar a bala
desperdiçada. A prova disso são várias fotos espalhadas pelo livro, onde
se vê homens, mulheres e até crianças mutiladas.
A cena presenciada pelo missionário
presbiteriano William Sheppard, descrita pelo autor, é chocante e
dispensa maiores comentários: “No dia em que chegou ao acampamento dos
saqueadores, chamou-lhe a atenção um grande número de objetos sendo
defumados. O chefe ‘nos levou até uma estrutura de paus, sob a qual
queimava um fogo lento, e lá estavam elas, as mãos direitas, contei-as
todas, 81’. O chefe disse a Sheppard: ‘Veja! Aqui está nossa prova. Eu
sempre tenho que cortar a mão direita das pessoas que matamos, para
poder mostrar ao Estado quantas foram’. Com muito orgulho, mostrou a
Sheppard alguns dos corpos de onde as mãos tinham saído. A fumaça era
para preservar as mãos no calor e umidade, já que podia levar dias, ou
semanas, até o chefe poder exibi-las ao oficial encarregado e receber os
créditos por suas matanças”.
O castigo Belga – mãos cortadas
Para se ter uma ideia de tanta
desumanidade, basta observar o que disse um oficial, conhecido por
Fiévez, tentando justificar a chacina de cem pessoas, quando estas não
conseguiram fornecer aos seus soldados o peixe e a mandioca exigidos:
“Eu fazia guerra contra eles. Um exemplo bastava: cem cabeças cortadas
fora e a estação voltava a ser abastecida com fartura. Meu objetivo
final é humanitário. Eu mato cem pessoas [...] mas isso permite que
outras quinhentas vivam”. Como afirmou Edmund Morel, uma das maiores
vozes que ecoaram contra o trabalho escravo dos africanos, “o Congo é
uma sociedade secreta de assassinos, tendo um rei como cabeça”.
São muitas as atrocidades, impossíveis
de serem descritas em apenas um artigo. Mas, para quem pensava que no
ranking dos monstros da humanidade, Hitler fosse imbatível, uma
novidade: o pódio é também ocupado pelo rei Leopoldo II, da Bélgica, que
traz em seu currículo 8 milhões de africanos dizimados, contra 6
milhões de judeus mortos, inseridos no histórico do austríaco.
A diferença entre os dois é que Hitler
gostava de fazer propaganda de suas bestialidades e suas vítimas foram
um povo branco, enquanto o belga, que optou pelos negros, como todo
psicopata que se preze, matava com discrição, com um inevitável sorriso
nos lábios, além de passar uma imagem de bonzinho para o resto do mundo.
No mais, foram monstros paridos pela escória, embora nascidos em épocas
e circunstâncias diferentes.
O poeta norte-americano Vachel Lindsay
traduziu bem a impressão deixada por Leopoldo, após sua morte: “Ouçam
como grita o fantasma de Leopoldo/A queimar no inferno por suas hostes
sem mãos./Escutem como riem e berram os demônios/Lá no inferno, a lhe
cortar fora as mãos”.
-
Compartilhada por Nabbonz Wende Guarani Kaiowa.
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