quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Incra não tem estrutura para resolver processos de quilombolas

Por racismoambiental, 05/10/2011 17:28

Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo


Tramita atualmente no Incra um total de 1076 processos de regularização fundiária de áreas quilombolas no País. Com a atual estrutura de pessoal e recursos financeiros instituição, serão necessários pelos menos 150 anos para atender a essa demanda.
Quem faz esse diagnóstico é o próprio presidente do Incra, Celso Lacerda. Dias atrás, ao receber um grupo de quilombolas, em Brasília, ele disse que já encaminhou à presidente da República, Dilma Rousseff, um relatório sobre a situação, com pedidos de mais recursos e autorização para contratar mais gente.
De acordo com a Constituição de 1988, é assegurado aos remanescentes das comunidades de quilombos a propriedade definitiva das terras ocupadas, cabendo ao Estado a emissão dos títulos. Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva regulamentou aquela decisão constitucional e incumbiu o Incra de realizar os procedimentos para a titulação das áreas.
Entre 2003 e 2010, porém, só foram emitidos 72 títulos de domínio às comunidades.


http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2011/10/04/incra-nao-tem-estrutura-para-resolver-processos-de-quilombolas/

PM prende quatro jagunços em Carro Quebrado e os encaminha para flagrante por formação de quadrilha

Blog Especial

Por racismoambiental, 05/10/2011 14:19



Tania Pacheco


O Desembargador Gercino José da Silva Filho, Ouvidor Agrário Nacional e Presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, acaba de enviar para o advogado Diogo Cabral, da CPT e do Movimento Quilombola do Maranhão, a carta abaixo, ao mesmo tempo em que mantém também a informação resposta recebida ontem do Tenente-Coronel da PM do Estado Eduardo Simplício. Mantenho-as na íntegra, como recebidas, exceto pelo endereçamento inicial.
Nossas homenagens ao Desembargador Gercino pela presteza e seriedade com que vem atuando – semana passada pessoalmente, na Bahia; e esta semana, ainda que à distância, em relação ao Maranhão. Que estejamos de fato inaugurando um novo momento: sem mortes e sem impunidade!
Senhor Advogado,
Reportando-me ao seu e-mail datado de 02 de outubro de 2011, tenho a elevada honra em dirigir-me a Vossa Senhoria visando encaminhar-lhe cópia do e-mail abaixo, mediante o qual o oficial agrário da Polícia Militar junto à Ouvidoria Agrária Nacional, coronel Eduardo Simplício, informa que foram presos quatro homens na comunidade quilombola denominada Carro Quebrado, localizada no município de Miranda do Norte, os quais foram encaminhados à Polícia Civil para autuação em flagrante por formação de quadrilha e porte ilegal de armas.
Esclareço, por derradeiro, que a Polícia Militar se encontra no local para garantir a integridade física dos quilombolas, de acordo com informação verbal prestada a este ouvidor pelo representante agrário da Polícia Militar junto à Ouvidoria Agrária Nacional, coronel Flávio Antônio Silva de Jesus.
Atenciosamente,
Gercino José da Silva Filho
Ouvidor Agrário Nacional e Presidente da
Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo
—–
Mensagem de ontem, do Tte-Cel Eduardo Simplício:
Ao Excelentíssimo Senhor
Desembargador Gercino José da Silva Filho
Ouvidor Agrário Nacional e Presidente da
Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo
Em relação ao conflito iminente na comunidade “Carro Quebrado”, no município de Miranda do Norte, venho informar a V. Exa que, no dia de ontem (03Out2011) foram presos, pelos integrantes da inteligência, 04(quatro) homens armados, sendo encaminhados para autuação em flagrante por formação de quadrilha e porte ilegal de arma. Cabe agora uma investigação mais aprofundada, por parte da Polícia Judiciária, sobre a possível ligação dos mesmos com o conflito de terras da supracitada comunidade. Estou aguardando o relatório circunstanciado da ação policial para encamihar maiores informações.


Respeitosamente,


TEN CEL PM EDUARDO SIMPLÍCIO
(Correspondência recebida copiada diretamente pelo remetente).

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Ouvidor Agrário Nacional solicita providências em caráter urgentíssimo na defesa de quilombolas de Carro Quebrado

Ouvidor Agrário Nacional solicita providências em caráter urgentíssimo na defesa de quilombolas de Carro Quebrado

Deputados vão pressionar o Executivo pela regularização de terras quilombolas

Larissa Xavier


Domingos Dutra (ao microfone) reconheceu serem justas as críticas à morosidade do governo para decidir a questão.Uma comissão de deputados da Comissão de Direitos Humanos vai procurar o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho para discutir a regularização da propriedade da terra para as populações quilombolas.
A decisão saiu de audiência pública na qual representantes de diversas comunidades vieram reclamar contra a lentidão do governo em titular a terra das 3.524 comunidades identificadas no País.
O deputado Luiz Couto (PT-PB) afirmou que é preciso demarcar as terras quilombolas com celeridade para que o agronegócio, que luta para impedir a consolidação desses direitos, avance. As comunidades quilombolas são formadas por descendentes de negros escravizados que ocupam a mesma área há séculos.
Comunidade em Minas
A maior parte dos participantes da audiência era de integrantes da comunidade Brejo dos Crioulos (MG). Eles denunciaram a invasão de suas terras por grandes fazendeiros, que usam de pistolagem para garantir sua permanência.
O processo de demarcação dessa comunidade já dura 12 anos. A titularidade determina a desapropriação e dá a propriedade da terra aos seus moradores. Superadas todas as questões técnicas, o decreto espera pela assinatura da presidente Dilma Rousseff.
Um dos descendentes dos quilombolas, José Carlos de Oliveira Neto, explica o que pretendem: "É um dever da presidente assumir o que o Brasil deve pra nós. A gente está com um decreto de desapropriação de terra demarcada como de remanescente quilombola, nós somos donos. Mas depende do decreto da desapropriação."
O assessor técnico da Secretaria Geral da Presidência Tiago Garcia afirmou que o ministro Gilberto Carvalho iria conversar com a presidente da República para acelerar o processo. Nesta quinta-feira, os quilombolas devem se reunir com o ministro para definir a assinatura.
Criticas ao governo
Durante a audiência, o governo federal recebeu inúmeras críticas à política desenvolvida para a comunidade quilombola, inclusive por parte dos próprios parlamentares petistas. Para o deputado Padre João (PT-MG), é um dever dos parlamentares petistas alertarem para os problemas. "Estamos então cobrando do nosso próprio governo. Porque se a gente não conseguir a demarcação das terras, devolver as terras a quem de direito, quando então vamos conseguir?"
O deputado Domingos Dutra (PT-MA) reconheceu que as críticas eram justas, mas afirmou que os movimentos populares devem relacionar suas lutas ao voto, apoiando quem luta por eles. "As cobranças são justas. Nós vamos reforçar as cobranças. Mas lembrando que nós temos o outro lado que está dentro do governo, está dentro do Parlamento, está dentro do Judiciário."
Dutra afirmou que a reunião dos parlamentares com o ministro Gilberto Carvalho também servirá para discutir recursos para os órgãos que tratam da regularização de terras e da questão quilombola e também pedir que as políticas sociais como o Luz Para Todos e programas de assistência técnica para a agricultura não dependam do título para serem oferecidas às comunidades.


Reportagem – Vania Alves/Rádio Câmara
Edição – Newton Araújo
A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara de Notícias'

domingo, 2 de outubro de 2011

SEGURANÇA PARA A COMUNIDADE CARRO QUEBRADO NO MARANHÃO

Exmo. Sr.
Desembargador Gercino Filho
Ouvidor Agrário Nacional

Senhor Ouvidor Agrário Nacional,
Gostaria de manifestar meu total apoio ao Ofício nº 61/2011, enviado a V. Excia. ontem, dia 1 de outubro, pela CPT-MA, denunciando mais um ato de violência contra uma comunidade de Carro Quebrado, município de Miranda do Norte, e pedindo providências urgentes no sentido de garantir as vidas e o território das famílias quilombolas.
Respeitosamente,

Tania Pacheco

MA – Urgente: Fazendeiro ameaça invadir Comunidade Quilombola Carro Quebrado, dia 4, terça-feira!

Por racismoambiental, 01/10/2011 23:44

A Comissão Pastoral da Terra e a Associação dos Advogados e Advogadas Populares, AATR, estão pedindo apoio para a Comunidade Quilombola Carro Quebrado, de Miranda, norte do Maranhão, ameaçada de morte e com invasão marcada para terça-feira, dia 4. Abaixo, cópia do Ofício nº 61/2011, enviado pela CPT-MA hoje, dia 1 de outubro de 2011, ao Ouvidor Agrário Nacional, Desembargador Gercino Filho, denunciando os fatos e pedindo providências. O e-mail do Ouvidor, para quem os apoios devem ser diretamente encaminhados, é gercino filho ouvidor nacional. Ao pé da carta da CPT, uma sugestão nossa de e-mail de apoio. TP.
A Comissão Pastoral da Terra do Maranhão vem, por meio deste, comunicar mais um ato de violência contra uma comunidade tradicional maranhense.
Em 30 de setembro de 2011, as 48 famílias camponesas da comunidade Carro Quebrado, município de Miranda do Norte –Ma, relataram os seguintes fatos a CPT Coroatá:
Que nos dia 26.09.2011 e 27.09.2011,  6 (seis) homens ingressaram na área de plantio da comunidade Carro Quebrado, para executar um trabalho de roço, acompanhados por 4 homens armados com pistolas, sendo que estes  davam cobertura aos invasores, a mando do latifundiário Raimundo Carneiro; que  no dia 28.09.2011, as famílias de Carro Quebrado impediram que os invasores continuassem a realizar qualquer tipo de trabalho na área de posse das famílias. Os camponeses exigiram a presença do fazendeiro Raimundo Carneiro na localidade, contudo, compareceu o gerente de uma das fazendas do mandante, por nome de Abraão, que afirmou às famílias que era advogado e que iria negociar com as famílias, sendo que estas  não aceitaram.
Por volta de 15:30 h do mesmo dia, o latifundiário Raimundo Carneiro chegou à comunidade, acompanhado por 8 homens fortemente armados com armas do tipo Pistola ponto 40, Pistola 765, todas automáticas. O latifundiário Raimundo Carneiro ameaçou as 48 famílias, afirmando que expulsaria as famílias, alegando que necessitava da terra, visto que os camponeses não pagavam renda ao latifundiário. O latifundiário Raimundo Carneiro afirmou  que poderia ceder uma pequena parcela da terra para as famílias. Afirmou ainda que se as famílias não aceitassem a pequena parcela de terra, “quem iria resolver o problema era o gerente Abraão e o que ele fizesse estava feito.” Nesse momento um jagunço falou que no dia seguinte os invasores dariam continuidade no trabalho de roço e  que “para resolver o problema, bastava matar uns quatro que tudo seria resolvido.”
Ao se retirarem do local, o latifundiário Raimundo e seu bando armado avisaram que o prazo do acordo seria findado em 04.10.2011 (terça-feira próxima) e nesse mesmo dia, o latifundiário Raimundo afirmou que  todos sairão da sua terra. No retorno ao município de Miranda do Norte, anunciaram no Comercial São João, nas imediações do povoado, que com a morte de alguns, tudo seria resolvido, segundo o gerente Abraão.
As famílias estão apreensivas, temendo por atos de violências contra suas integridades. O morador mais antigo da localidade tem mais de 80 anos, e o povoado tem registro de aproximadamente 120 anos.
Requer-se, deste forma, que a Ouvidoria Agrária Nacional requeira, urgentemente, reforço policial na área em questão, oficiando-se aos órgão de segurança, em especial, ao Comando Militar Agrário e à Delegacia de Crimes Agrários, visto que o território de Carro Quebrado poderá ser invadido na próxima terça-feira.
Diogo Diniz Ribeiro Cabral
OAB/MA nº 9355
Advogado CPT/MA
Pe. Inaldo Serejo
Coordenador CPT/MA
Antonia Calixto de Carvalho
Coordenação da CPT/Diocese de Coroatá
Sugestão de e-mail de apoio:
Exmo. Sr.
Desembargador Gercino Filho
Ouvidor Agrário Nacional
Senhor Ouvidor Agrário Nacional,
Gostaria de manifestar meu total apoio ao Ofício nº 61/2011, enviado a V. Excia. ontem, dia 1 de outubro, pela CPT-MA, denunciando mais um ato de violência contra uma comunidade de Carro Quebrado, município de Miranda do Norte, e pedindo providências urgentes no sentido de garantir as vidas e o território das famílias quilombolas.
Respeitosamente,
Nome:
RG:
Cidade:

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

DILMTULAÇÃO: A MISÉRIA ACABA COM A TITULAÇÃO DOS TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS E COM O FIM DO LATIFÚNDIO

Nota da CPT/MG: “Brejo dos Crioulos volta de Brasília com Decreto de Desapropriação assinado!”

Por racismoambiental, 30/09/2011 11:00

29 de setembro de 2011 é mais um marco na história de luta e resistência da Comunidade Brejo dos Crioulos.

São muitos anos de luta e aprendizado.
Aqui em Brasília, nos dois dias de mobilização, os quilombolas acorrentados na porta do Palácio do Planalto denunciam as correntes da violência do latifúndio e morosidade no processo de titularização do seu território.
Neste período, os quilombolas de Brejo participaram de audiências publicas e reuniões, debatendo e denunciando a violência das milícias armadas, a omissão dos governos e as ameaças do agronegócio a luta Quilombola – além da violência, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN 3239) do DEM e o PDL 44/03 do PMDB.
Ainda tiveram o apoio e a troca de experiências com outros grupos e lideranças Quilombolas da Bahia, do Rio Grande do Sul, Maranhão e Goiás. Ficou mais do que clara a necessidade de articulação entre as comunidades para enfrentar os ataques do setor ruralista, como também se constatou os poucos recursos do governo destinado a causa quilombola e ineficiência na aplicação dos mesmos.
Às 17h30 horas do dia 29 de setembro de 20011, o decreto de desapropriação do território da Comunidade Quilombolas Brejo dos Crioulos foi assinado pela presidente Dilma Roussef.
Foram dois dias afirmando que “Quilombo não vive cansado, é melhor morrer lutando do que ser escravizado”. Luta árdua, sol quente e pouco apoio! A resistência negra continua presente! Do desejo de liberdade constroem-se caminhos.
A luta continua! Os Quilombolas são desafiados a: derrubar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN 3239), a qual ameaça o Decreto 4887/2003 (que regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras quilombolas) e forjar a continuidade do processo de titulação do seu território.
Parafraseando o poeta Zé Vicente, agente percebe que os clamores dos negros de Palmares são os mesmos dos negros da Comunidade do Brejo dos Crioulos. Que o Coração do afro continente está batucando no peito do Brasil. A memória comovente, está despertando a história do Brasil!
Parabéns Brejo dos Crioulos pelo caminho construído! Esta importante etapa na luta pelo território é combustível para a luta de todos os quilombos nos recantos do nosso país.

Comissão Pastoral da Terra de MG. Enviada por Ruben Siqueira.