sexta-feira, 21 de outubro de 2011

RS – Caso quilombolas cria clima de tensão em Rio Pardo

Por racismoambiental, 21/10/2011 12:02

De um lado, os agricultores lutam para garantir a propriedade; do outro, descendentes de quilombolas cobram dívida histórica

Família de remanescentes pretende investir na diversificação com o aumento da área de cultivo
Marilia Gehrke, Gazeta do Sul
A sensação de desconhecimento e incerteza com relação ao futuro preocupa tanto os produtores rurais quanto os descendentes e remanescentes de quilombolas da localidade de Passo da Taquara e arredores, no interior de Rio Pardo. Enquanto os agricultores exigem o direito à propriedade, a população negra quer a regulamentação e retomada da área onde viviam seus antepassados. O processo administrativo de regulamentação fundiária da comunidade quilombola Rincão dos Negros foi aberto em 2005. Dois anos depois, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) realizou o Relatório Sócio-Histórico e Antropológico para identificar as famílias – 25, no total – que têm direito ao benefício.
Em julho deste ano, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) realizou um levantamento preliminar de alta precisão, por meio de GPS, para identificar a área, com 1,3 mil hectares. Esses são itens que compõem o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) das terras, parte inicial do procedimento que culmina com a desapropriação. De acordo com os produtores rurais de Passo da Taquara, 159 propriedades e 420 moradores serão diretamente afetados com a medida do Incra. Além disso, estimam que 1,2 mil pessoas se beneficiam da agricultura na localidade atualmente. No mês passado, representantes da Sociedade da Terra, de Rio Pardo, e integrantes de entidades ligadas aos pequenos agricultores de Maquiné e Osório, foram a Brasília para um encontro com representantes da Secretaria Geral da Presidência da República e da Secretaria Nacional de Articulação Social.
Desde a reunião, eles questionam o procedimento adotado pelo Incra quanto à desapropriação de terras. Na tarde de hoje, uma nova audiência, em Porto Alegre, pode dar um ânimo extra aos agricultores. Um grupo de Rio Pardo deve comparecer no evento. No encontro, que acontece na Assembleia Legislativa, serão discutidas as demarcações de terras para comunidades indígenas e quilombolas e os impactos causados ao setor rural. A reunião em Porto Alegre terá a participação das comissões de Agricultura do Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa do Estado, além da senadora Ana Amélia Lemos e deputados federais e estaduais.
Entenda o procedimento
O processo de identificação de uma área como antigo quilombo começa com o autorreconhecimento que parte da própria comunidade remanescente. Após, a Fundação Cultural Palmares emite uma certidão para então o processo dar entrada no Incra. O primeiro passo é a confecção e posterior publicação do RTID (em Rio Pardo, está em fase inicial). Após, os proprietários de terra afetados pela medida são notificados pelo Incra e têm o prazo de 90 dias para contestação. A portaria ainda passa pelo presidente do Incra antes de ir para a última etapa que antecede a desapropriação das terras, que é a sanção da presidente Dilma Rousseff.
Se houver desapropriação, os proprietários receberão, por suas terras, o valor das avaliações da terra e das benfeitorias. O Incra informou que também existe a possibilidade de os agricultores afetados serem direcionados para outro lugar. A cada início de ano, o governo federal repassa recursos ao Incra, conforme a previsão de desapropriações nos estados. Esse orçamento é destinado somente para a regularização fundiária em todo o território nacional. A única comunidade quilombola com o procedimento 100% concluído no Estado é Chácara das Rosas, em Canoas. O processo foi aberto em 2005 e concluído em 2009. Esse foi um dos primeiros quilombos urbanos do Brasil.


http://www.gaz.com.br/noticia/307882-caso_quilombolas_cria_clima_de_tensao_em_rio_pardo.html

O Caminho Quilombola: sociologia jurídica do reconhecimento étnico

Por , 21/10/2011 11:05


O Caminho Quilombola: sociologia jurídica do reconhecimento étnico, de André Videira de Figueiredo, será lançado segunda-feira, dia 24, no 35º Encontro da ANPOCS, em Caxambú.
No livro, o autor analisa a construção da identidade étnica como o resultado do exercício coletivo de interpretação constitucional, empreendido por uma comunidade aberta de intérpretes da qual fazem parte não apenas legisladores e juízes, mas atores da sociedade civil, formadores de opinião e os próprios grupos interessados. Tais atores estão envolvidos, todos, em disputas interpretativas que constroem, para a questão quilombola, um campo de posições possíveis.
É neste cenário que André Videira de Figueiredo aborda o processo de reconhecimento de uma família de camponeses negros do Vale do Paraíba fluminense, articulado em torno de uma conjunção possível entre valores e interesses. A comunidade remanescente de quilombo de Alto da Serra constitui um caso exemplar do quanto o reconhecimento étnico, embora possa encontrar como ponto de partida demandas objetivas como a permanência na terra, opera, a partir do direito, um arranjo moderno da identidade, cujo impacto ultrapassa as demandas originais, redundando na ampliação da auto-estima do grupo.
Neste processo, no qual as formas locais de reconhecimento deverão ser traduzidas para a linguagem do direito, e vice-versa, os grupos concretos deverão articular uma interpretação da Constituição que garanta, ao mesmo tempo, a integridade do direito e sua própria integridade moral como grupo étnico.


André Videira de Figueiredo é Coordenador do Núcleo de Análises de Práticas Políticas e Políticas Públicas (NAPP-UFRRJ) e Professor Adjunto do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Nota da Seppir sobre a matéria “Reforma ameaça ministras mulheres”

Por racismoambiental, 10/10/2011 15:25

Ao contrário do que especula a reportagem da Folha de S. Paulo (edição de 09-10-2011, pg A10), a ministra Luiza Bairros, que não foi ouvida pela repórter Ana Flor, nunca manifestou desejo de deixar a Seppir e já expressou publicamente suas críticas a uma visão simplista que limita as complexidades relacionadas à promoção da igualdade racial ao volume de recursos orçamentários disponíveis. Acrescente-se ainda que, como a ministra escreveu no artigo “O Estatuto é pra Valer”, amplamente divulgado em julho deste ano, o PPA 2012-2015 conferiu nova feição aos planos de governo ao incorporar o programa de Enfrentamento ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial.


Coordenação de Comunicação SEPPIR.

Ouvidor Agrário Nacional envia ata da reunião sobre Monte Santo para Secretária Executiva do MDA

Ouvidor Agrário Nacional envia ata da reunião sobre Monte Santo para Secretária Executiva do MDA

KÁTIA AREU CONTRA QUILOMBOLAS


O Globo

Disparate antropológico
Kátia Abreu

... Imaginem a seguinte situação. Em uma cidade qualquer de nosso país, há um terreiro de umbanda, em que a mãe de santo é branca, assim como vários membros desse culto religioso. Seguem certos ritos que os irmana em uma mesma crença, herdada de antepassados negros. Vivem entre outras casas, em harmoniosa relação de vizinhança. Nada nesta descrição é inusitado, considerando o algo grau de interação racial e cultural de nosso país.

Se perguntássemos a qualquer pessoa que congregação é essa, a resposta seria simples. Trata-se de um culto, herdeiro de uma tradição cultural africana, que abriga pessoas das mais distintas procedências raciais, sociais e sexuais. A ninguém ocorreria, porém, dizer que se trata de um "quilombo". Seria disparatado.

No entanto, é o que está acontecendo no país. Já não se trata de uma descrição da realidade, mas de uma construção fictícia fruto do que certos antropólogos e a Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, encarregada da certificação de quilombos, consideram como "ressemantização".

Segundo essa nova doutrina, de forte conotação ideológica, quilombo, e por extensão quilombola, veio a significar uma comunidade de tipo cultural, mais precisamente dita etnográfica. O que passa a contar é a identidade cultural em questão, relegando, mesmo, a uma posição secundária a identidade propriamente racial.

Quilombo passa a ser uma comunidade cultural que tem práticas que se exerceriam em um determinado território, que deveria, ainda segundo essa doutrina, possuir uma ampla área em que suas práticas culturais poderiam ser reproduzidas. Quilombo passa a ser um terreiro de umbanda, uma escola de candomblé, uma reunião de famílias negras em um território qualquer.

Quilombo não é mais um lugarejo distante dos centros urbanos, fortificado, que servia de lugar de vida para escravos fugidios e, inclusive, indígenas. A ficção tomou o lugar da realidade. O que a Constituição de 1988 considerou quilombo cessa de ter validade, segundo uma "interpretação" do texto constitucional que subverte completamente o significado das palavras.

Imaginem, agora, tal exemplo ampliado para todo o país, tanto em zona urbana como rural. O que era uma propriedade, o exercício do direito de uma família com títulos de propriedade de décadas, desaparece porque um grupo de pessoas resolve se autointitular quilombola, faz um processo verbal na Fundação Cultural Palmares e um grupo de antropólogos referenda essa demanda. A insegurança jurídica se torna geral.

O texto constitucional é subvertido graças à colaboração de antropólogos, promotores e funcionários da Fundação Cultural Palmares que aderiram a uma nova ideologia. Colocaram-se na função de novos constituintes e passaram a ditar uma nova política que torna a letra e o espírito da lei algo que pode ser simplesmente desconsiderado.

Qualquer coisa pode caber nessa palavra: quilombola. Como foi bem dito na coluna de Opinião desse importante jornal, em 12/09: "Caberá à Corte, blindada contra a ação de grupos de pressão e ao largo de interesses ideológicos, analisar o tema e dar-lhe o mais acertado encaminhamento."

Kátia Abreu é senadora (PSD-GO) e presidente da Confederação Nacional da Agricultura.
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

MA – Presidente da Comissão de Direitos Humanos e das Minorias lamenta morte de quilombola e pede providências

MA – Presidente da Comissão de Direitos Humanos e das Minorias lamenta morte de quilombola e pede providências

Seminário de Parteiras Tradicionais do Baixo Parnaíba Maranhense

Por racismoambiental, 05/10/2011 18:06

Urabano Santos (MA), 14 a 16/10/2011
ASSOCIAÇÃO DE PARTEIRAS TRADICIONAIS (APT) DE SÃO BENEDITO, URBANOS SANTOS E BELAGUA


CONVITE
Nós parteiras tradicionais dos três municípios acima mencionados, temos o prazer, ao convidar você e sua entidade para participar do nosso seminário de formação e articulação.
Para essa atividade, estamos contando com a presença de parteiras de Barreirinhas, Paulino Neves, Tutoia, Brejo, Buriti, Chapadinha, Mata Roma e Anapurus. No seminário, iremos refletir o tema: Organização popular, parto domiciliar, saúde pública, saúde da mulher; e para a continuidade da nossa bandeira de luta escolhemos como lema: em busca do nosso reconhecimento profissional.
O nosso evento será realizado no centro paroquial de Urbano Santos. No período de 14 – 16 de outubro de 2011. A tarde do dia 14 teremos a alegria de acolher todos os nossos participantes e convidados (as). Após a janta, haverá a abertura do seminário. Dia 15 será dedicado ao estudo e ao debate das temáticas e definição dos encaminhamentos. Dia 16, continuidade dos trabalhos e encerramento do seminário com o almoço.
Ao lhe fazer esse convite, o nosso coração começa pulsar de alegria, pela certeza da sua presença. A todas e a todos, o nosso carinho e abraço.


Pela coordenação
Inácia de São Benedito – Leila de Urbano Santos – Marie e Vale de Barreirinhas
Enviada por Edmilson Pinheiro.